segunda-feira, 30 de abril de 2012


DE REPENTE
(Aurenice Vítor)

De repente o meu tempo se esgotou
E tu não me disseste nada...
Não te toquei, não te beijei
E já era madrugada.

Tu apenas me olhaste
Triste, frio como o orvalho lá fora.
Noite clara, Lua cheia,
Madrugadinha... e eu indo-me embora.

De repente meu tempo se esgotou
E tu não me disseste nada...
Não reclamaste minha ausência
Nem minha dor tão calada!

O carinho frio do beijo,
Minha falta de desejo,
Tudo culpa dessa vida infame,
Daquele álcool ingerido,
Do telefonema anônimo
Que tu já havias esquecido.

Tudo conspirando contra o amor,
Afogando os prazeres nessa hora calada.
De repente tu viraste pro canto e dormiste
E minha dor aumentou, no fim da madrugada!

De repente tudo era silêncio e solidão,
E tu... não me disseste nada!

terça-feira, 24 de abril de 2012


YIN
(Eduardo de M. da Silva)

Anoiteceu!...
E de repente foi
Esfriou, congelou e quebrou
E o dia nunca mais voltou
Alguém o remendou
E nunca mais foi o mesmo.



Adoeceu!...
A lua chorou
E quando viram
Tudo já tinha se acabado
Tentaram voltar atrás
Mas nada estava mais
Disponível

Yin
É assim
Tudo de ruim
Dia, negativo dia...
Rebelde, devido a tudo,
A tantos e todos

Cristal de yin
Dia yin, dia e emoção
Tudo molhado, tudo ligado,
E eletrocutado
Pra sempre, agora,
Quebrado

Entardeceu!...
De volta à morfina
De volta à mesma rotina
Vive como um bumerangue
Yin-yang


sábado, 21 de abril de 2012


BRASÍLIA, ELES NÃO PRESTAM MAS EU TE AMO!...
(Ógui Lourenço Mauri)
Cinquentona, com traços de menina,
Sempre mais linda ao avançar na idade.
"Ex-Capital da Esperança" fascina;
Hoje, és a "Capital da Realidade".

Tens na classe política um entulho,
Moradores de três dias por semana.
Deixa, porém, túrgido teu orgulho...
Teu brilho, nenhum político empana.

Brasília, eles não prestam mas eu te amo!
Encantas o forasteiro enciumado,
És obra de JK que eu aclamo,
O sonho de Dom Bosco realizado.

Salve, teus verdadeiros habitantes!
Legião de labores ininterruptos,
Que refuta os acenos aliciantes,
Mesmo no meio de tantos corruptos.

Brasília, eles não prestam mas eu te amo!
Tua viva História massacra os escândalos...
Pois teu povo não é do mesmo ramo
Que se ajusta aos políticos e vândalos.

Desde Juscelino, plena de glória,
Quanto mais te conheço, mais me inflamo.
Tua beleza singular é notória...
Brasília, eles não prestam mas eu te amo!


BRASÍLIA, CAPITAL DA ESPERANÇA E DA POESIA
(Joésio Menezes)
Na Brasília de Tetê Catalão,
José Geraldo e Nicolas Behr,
A poesia - clássica ou não –
Por meio dos versos diz o que quer.
Ela bem canta os encantos mil
Da charmosa Capital do Brasil
Sem se esquecer de exaltar a mulher.

Ela fala das ruas sem esquina,
Dos arcos que formam a Catedral,
Do Céu azul que tanto nos fascina,
Da cultura em nossa Capital...
E sem desafinar ela canta árias
Às extensas Asas imaginárias
Que cruzam o Eixo Monumental.

Também enaltece a Natureza;
Saudades sente da flor do cerrado.
Em quase tudo ela vê beleza,
Inclusive no concreto armado
Que viadutos e pontes sustenta
Desde os idos dos anos sessenta,
Quando o “Sonho” foi concretizado...

 Mesmo estando Brasília submersa
Num oceano de desconfiança,
A poesia jamais desconversa,
Canta versos de autoconfiança...
Ela canta muitas coisas malditas,
Corrupção, falcatruas infinitas,
Mas o faz esbanjando esperança.


Feliz Aniversário, Brasília!!!

sexta-feira, 20 de abril de 2012


AMO-TE, MAS...
(Henrique Pedro)

Amo-te
Mais do que devo
E nada te devo
Nem a ti
Nem a ninguém
Mas…
Ainda assim
Te digo
Que não gosto de ti!
Gostava sim
Que fosses diferente
Ou me fosses indiferente
Gostava de te amar
E de ti gostar
Como és
E como tu queres
Mas…
Não gosto de ti!
Dir-me-ás
Que não há mas
Nem meio mas
Que é puro engano
Ou te amo
E gosto de ti
Assim
Como és
Ou não te amo
E que só assim
Também te gosto
Isto é
Só assim tu gostas de mim
Pois é
Será!
Mas é esse o meu desgosto
Saber que te amo
Que não gosto de ti
E que assim
Não te gosto
Porquê?
Sei lá?!
Ainda assim
Espero
Amo-te
Não gosto de ti
Mas…
Ainda assim
Te quero.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

LÁ ONDE O VENTO FAZ A CURVA
(Ana Luisa Vasconcelos)

Ah, o outono!
Tens meu amor constante,
sorriso de doravante.
Pedaço de luz
coberto de fim distante.
Gosto do frio suposto que enverga,
da manta velha que lembra,
do seu anúncio de muitos adeus.
Do amiúde quietar das pessoas a voltar do trabalho.
A rotina embarcada
no seu obliquo olhar para o nunca.

Outono velho
com o cheiro das quentes fumaças
da queimada de cana - o imediato embaçado.
Da criançada festiva a deixar a escola
em brincadeiras pastéis de amarelo e azul
Pela noite que já embola.

Outono meu
que é tão interior,
tão das pequenas cidades
 onde existem silêncios...
Filete de movimento entre cortes delicados...

Bomba de despedida
que me convida a partir sem lastro
Por alargar tempo e espaço.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

TRISTEZA DO INFINITO
(Cruz e Sousa)

Anda em mim, soturnamente,
uma tristeza ociosa,
sem objetivo, latente,
vaga, indecisa, medrosa.

Como ave torva e sem rumo,
ondula, vagueia, oscila
e sobe em nuvens de fumo
e na minh'alma se asila.

Uma tristeza que eu, mudo,
fico nela meditando
e meditando, por tudo
e em toda a parte sonhando.

Tristeza de não sei donde,
de não sei quando nem como...
flor mortal, que dentro esconde
sementes de um mago pomo.

Dessas tristezas incertas,
esparsas, indefinidas...
como almas vagas, desertas
no rumo eterno das vidas.

Tristeza sem causa forte,
diversa de outras tristezas,
nem da vida nem da morte
gerada nas correntezas...

Tristeza de outros espaços,
de outros céus, de outras esferas,
de outros límpidos abraços,
de outras castas primaveras.

Dessas tristezas que vagam
com volúpias tão sombrias
que as nossas almas alagam
de estranhas melancolias.

Dessas tristezas sem fundo,
sem origens prolongadas,
sem saudades deste mundo,
sem noites, sem alvoradas.

Que principiam no sonho
e acabam na Realidade,
através do mar tristonho
desta absurda Imensidade.

Certa tristeza indizível,
abstrata, como se fosse
a grande alma do Sensível
magoada, mística, doce.

Ah! tristeza imponderável,
abismo, mistério, aflito,
torturante, formidável...
ah! tristeza do Infinito!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

VENTOS
(Vivaldo Bernardes)

- ao amigo Xiko Mendes -

Vejo ventos varrendo vastidões,
violentando viandantes e viajores,
vazam vácuos, violentos vagalhões,
vergando varas, ventos vencedores.

Verdes vidas e vidas vãs, vazias,
Vitimadas, vencidas pelos ventos.
Vendavais virulentos e vadios
viram vidas vividas, vis, violentos.

Na voragem dos ventos vou vivendo,
vencendo verdadeiros vergalhões.
Até vejo que a vida vai valendo...

Vislumbrar os viveres bem vividos,
Visitar, conviver visitações,
é viver, e os ventos ver vencidos.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

PROCURA-SE UM AMOR
(Patrícia Ximenes)

Procura-se rápido
Um amor verdadeiro
Alegre e faceiro
Feito vaidade
E gosto de picolé!
Será que é fácil?
Difícil sei que é!
E o que fazer então?
Divulgar o tamanho
Do meu nobre coração
E nunca prometer
Nem jurar em vão
Muito amor e carinho
Se não existirem, não!
Procura-se um amor
Aquele simples mesmo
Que te olhe nos olhos
E deseje por inteiro
Te amar para sempre.
Procura-se um amor
O que te deixa livre
Para ser sempre você
E que te faça merecer
Todo amor que existe!
Procura-se um amor...
Ou quem sabe..
Doa-se amor!!
Hum...
Quando se doa
O amor não é à toa!
Faça alguém feliz
A felicidade é recíproca!!!

domingo, 8 de abril de 2012

A PÁSCOA
(Sidney Alves das Virgens)

Uma vida nova
Um tempo novo
É tempo de alegria
Venha alegrar-se conosco

As coisas velhas já se passaram
É tempo de renovo
Aleluia! Aleluia! Jesus ressuscitou
E Deus o exaltou com muito amor

Ele morreu para dar-nos a vida
Isso é motivo de louvor
Na cruz foi tudo consumado
Pelo seu amor

Vivamos o perdão independente da dor
Vamos cumprir os nossos deveres
Para agradar o nosso pai
Javé Deus

Pois a paz é fruto da justiça
Na cruz Jesus assim falou
Pai perdoa-os
Eles não sabem o que é amor

Uma vida nova
Um tempo novo
É tempo de alegria
Venha alegrar conosco.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O MAIOR DOADOR
(Francisco Durães)

O maior doador foi Jesus Cristo,
Que deu seu sangue à humanidade
Num exemplo de amor e caridade
Que neste mundo jamais foi visto.

Como cristão, nesta dádiva insisto,
Pensando naquele que em sua humildade,
Sem merecermos, cheios de maudade,
Por nós morreu na cruz, seja bendito!...

Com sua ação lavou nossos pecados,
Na nossa, damos aos necessitados
O que nos sobra em saúde, força e vigor.

Felizes aqueles que pela vida afora,
Abraçaram esta missão em santa hora,
Salvando irmãos, com as bênçãos do Senhor.

domingo, 1 de abril de 2012

NASCIDA EM 1º DE ABRIL
(Joésio Menezes)

- à Andréa do Carmo,
por ocasião do seu aniversário -

Hoje é primeiro de abril...
Dizem que é o dia da mentira,
Mas também é o dia em que surgira
Aquela para quem Deus sorriu

E disse: “te chamarás Andréa,
Deusa das flores e da poesia;
E na vida terás como companhia
Colibris, borboletas, azaléas...

Então, a partir desse dia
Serás responsável pela magia
Dos versos dos poetas encantados”.

E depois do que disse o Criador,
Os versos que exaltam o amor
Surgiram inda mais apaixonados.


Parabéns, Andréa!!!