terça-feira, 22 de maio de 2012


RECEITA
(Nicolas Behr)

Ingredientes:
dois conflitos de gerações
quatro esperanças perdidas
três litros de sangue fervido
cinco sonhos eróticos
duas canções dos beatles

Modo de Preparar:
dissolva os sonhos eróticos
nos três litros de sangue fervido
e deixe gelar seu coração

leve a mistura ao fogo
adicionando dois conflitos
de gerações às esperanças perdidas

corte tudo em pedacinhos
e repita com as canções dos beatles
o mesmo processo usado com os
sonhos eróticos mas desta vez
deixe ferver um pouco mais e
mexa até dissolver

parte do sangue pode ser
substituído por suco de groselha
mas os resultados não serão
os mesmos

sirva o poema simples
ou com ilusões

quinta-feira, 17 de maio de 2012


SONETO AO PÉ DO OUVIDO
(Francisco Libânio)

Ela, naquele dom que é feminino,
Pergunta ao amado se ele a ama,
E ele, óbvio, responde à sua dama
Que sim, o que é claro e cristalino

Eis que ela, a arrancar dele um fino
Ato romântico pede: Pois clama
Ao mundo esse amor! Vai e exclama,
Entoa, trina, espalha, soa qual sino

Ao mundo este amor que tu sentes!
Ele escolhe, pois, palavras envolventes,
Juras de amor e as sussurra ao fundo

Do ouvido dela, que pede o motivo
Do sussurro e ele responde, bem vivo,
Que não há gritar se ela é seu mundo.

sábado, 12 de maio de 2012


PARA SEMPRE
(Carlos Drummond de Andrade)

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo –
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

quarta-feira, 9 de maio de 2012


INDAGAÇÕES
(Andréa joy)
 
O que preciso fazer para ter você?
Como devo proceder?
De que jeito tenho que viver?

O passado ainda insiste
Revivo o amor que existe
Nesse coração
que explode de paixão
quando leio os versos seus!

Fala pra mim, vida minha,
Os seus segredos, os seus medos...
Trace para mim os caminhos
que me levarão a você.


Não há mais o que dizer
Amor, paixão, querer
Só uma certeza pulsa
A vontade de ter você!

terça-feira, 8 de maio de 2012

FAREJADO
(Glauco Mattoso)

Bassê no apartamento fuça em tudo!
Passeia pela sala e faz lambança
no pé dos móveis, máximo que alcança
um corpo tão comprido e salsichudo...

Já li de especialistas um estudo
provando que o bassê, mais que a criança,
precisa bagunçar, e só se amansa
com beijo. Então, do meu nunca desgrudo.

Comigo no sofá, também cochila;
só falta, à mesa, usar o mesmo prato;
na cama nossa noite é bem tranquilla.

Estranham que ao cão como gente trato?
Pois saibam que até cocker, collie e fila
me latem dos vizinhos! E eu lhes lato!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

MULHER-FLOR
(Vivaldo Bernardes)

Das flores que conheço és tu a mais formosa.
Não peco por dizer, não há outra igual.
Tu supres sem favor a mais altiva rosa,
o odor que tu exalas excede o sensual.

Mulher, tu és a flor! Ó flor, tu és mulher.
Igualam-se em beleza, igualam-se em odor
e fazem ambas de mim o que lhes aprouver,
tirados os espinhos e escondendo a dor.

Entanto, entre as duas se eu escolher pudesse,
ao certo elegeria rainha dentre elas
a mulher carinhosa à hora que eu quisesse.

Carinho é dom de Deus e dado à Mulher,
e feito com primor pra não deixar sequelas
e a flor murcha num dia como uma flor qualquer.

segunda-feira, 30 de abril de 2012


DE REPENTE
(Aurenice Vítor)

De repente o meu tempo se esgotou
E tu não me disseste nada...
Não te toquei, não te beijei
E já era madrugada.

Tu apenas me olhaste
Triste, frio como o orvalho lá fora.
Noite clara, Lua cheia,
Madrugadinha... e eu indo-me embora.

De repente meu tempo se esgotou
E tu não me disseste nada...
Não reclamaste minha ausência
Nem minha dor tão calada!

O carinho frio do beijo,
Minha falta de desejo,
Tudo culpa dessa vida infame,
Daquele álcool ingerido,
Do telefonema anônimo
Que tu já havias esquecido.

Tudo conspirando contra o amor,
Afogando os prazeres nessa hora calada.
De repente tu viraste pro canto e dormiste
E minha dor aumentou, no fim da madrugada!

De repente tudo era silêncio e solidão,
E tu... não me disseste nada!

terça-feira, 24 de abril de 2012


YIN
(Eduardo de M. da Silva)

Anoiteceu!...
E de repente foi
Esfriou, congelou e quebrou
E o dia nunca mais voltou
Alguém o remendou
E nunca mais foi o mesmo.



Adoeceu!...
A lua chorou
E quando viram
Tudo já tinha se acabado
Tentaram voltar atrás
Mas nada estava mais
Disponível

Yin
É assim
Tudo de ruim
Dia, negativo dia...
Rebelde, devido a tudo,
A tantos e todos

Cristal de yin
Dia yin, dia e emoção
Tudo molhado, tudo ligado,
E eletrocutado
Pra sempre, agora,
Quebrado

Entardeceu!...
De volta à morfina
De volta à mesma rotina
Vive como um bumerangue
Yin-yang


sábado, 21 de abril de 2012


BRASÍLIA, ELES NÃO PRESTAM MAS EU TE AMO!...
(Ógui Lourenço Mauri)
Cinquentona, com traços de menina,
Sempre mais linda ao avançar na idade.
"Ex-Capital da Esperança" fascina;
Hoje, és a "Capital da Realidade".

Tens na classe política um entulho,
Moradores de três dias por semana.
Deixa, porém, túrgido teu orgulho...
Teu brilho, nenhum político empana.

Brasília, eles não prestam mas eu te amo!
Encantas o forasteiro enciumado,
És obra de JK que eu aclamo,
O sonho de Dom Bosco realizado.

Salve, teus verdadeiros habitantes!
Legião de labores ininterruptos,
Que refuta os acenos aliciantes,
Mesmo no meio de tantos corruptos.

Brasília, eles não prestam mas eu te amo!
Tua viva História massacra os escândalos...
Pois teu povo não é do mesmo ramo
Que se ajusta aos políticos e vândalos.

Desde Juscelino, plena de glória,
Quanto mais te conheço, mais me inflamo.
Tua beleza singular é notória...
Brasília, eles não prestam mas eu te amo!


BRASÍLIA, CAPITAL DA ESPERANÇA E DA POESIA
(Joésio Menezes)
Na Brasília de Tetê Catalão,
José Geraldo e Nicolas Behr,
A poesia - clássica ou não –
Por meio dos versos diz o que quer.
Ela bem canta os encantos mil
Da charmosa Capital do Brasil
Sem se esquecer de exaltar a mulher.

Ela fala das ruas sem esquina,
Dos arcos que formam a Catedral,
Do Céu azul que tanto nos fascina,
Da cultura em nossa Capital...
E sem desafinar ela canta árias
Às extensas Asas imaginárias
Que cruzam o Eixo Monumental.

Também enaltece a Natureza;
Saudades sente da flor do cerrado.
Em quase tudo ela vê beleza,
Inclusive no concreto armado
Que viadutos e pontes sustenta
Desde os idos dos anos sessenta,
Quando o “Sonho” foi concretizado...

 Mesmo estando Brasília submersa
Num oceano de desconfiança,
A poesia jamais desconversa,
Canta versos de autoconfiança...
Ela canta muitas coisas malditas,
Corrupção, falcatruas infinitas,
Mas o faz esbanjando esperança.


Feliz Aniversário, Brasília!!!

sexta-feira, 20 de abril de 2012


AMO-TE, MAS...
(Henrique Pedro)

Amo-te
Mais do que devo
E nada te devo
Nem a ti
Nem a ninguém
Mas…
Ainda assim
Te digo
Que não gosto de ti!
Gostava sim
Que fosses diferente
Ou me fosses indiferente
Gostava de te amar
E de ti gostar
Como és
E como tu queres
Mas…
Não gosto de ti!
Dir-me-ás
Que não há mas
Nem meio mas
Que é puro engano
Ou te amo
E gosto de ti
Assim
Como és
Ou não te amo
E que só assim
Também te gosto
Isto é
Só assim tu gostas de mim
Pois é
Será!
Mas é esse o meu desgosto
Saber que te amo
Que não gosto de ti
E que assim
Não te gosto
Porquê?
Sei lá?!
Ainda assim
Espero
Amo-te
Não gosto de ti
Mas…
Ainda assim
Te quero.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

LÁ ONDE O VENTO FAZ A CURVA
(Ana Luisa Vasconcelos)

Ah, o outono!
Tens meu amor constante,
sorriso de doravante.
Pedaço de luz
coberto de fim distante.
Gosto do frio suposto que enverga,
da manta velha que lembra,
do seu anúncio de muitos adeus.
Do amiúde quietar das pessoas a voltar do trabalho.
A rotina embarcada
no seu obliquo olhar para o nunca.

Outono velho
com o cheiro das quentes fumaças
da queimada de cana - o imediato embaçado.
Da criançada festiva a deixar a escola
em brincadeiras pastéis de amarelo e azul
Pela noite que já embola.

Outono meu
que é tão interior,
tão das pequenas cidades
 onde existem silêncios...
Filete de movimento entre cortes delicados...

Bomba de despedida
que me convida a partir sem lastro
Por alargar tempo e espaço.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

TRISTEZA DO INFINITO
(Cruz e Sousa)

Anda em mim, soturnamente,
uma tristeza ociosa,
sem objetivo, latente,
vaga, indecisa, medrosa.

Como ave torva e sem rumo,
ondula, vagueia, oscila
e sobe em nuvens de fumo
e na minh'alma se asila.

Uma tristeza que eu, mudo,
fico nela meditando
e meditando, por tudo
e em toda a parte sonhando.

Tristeza de não sei donde,
de não sei quando nem como...
flor mortal, que dentro esconde
sementes de um mago pomo.

Dessas tristezas incertas,
esparsas, indefinidas...
como almas vagas, desertas
no rumo eterno das vidas.

Tristeza sem causa forte,
diversa de outras tristezas,
nem da vida nem da morte
gerada nas correntezas...

Tristeza de outros espaços,
de outros céus, de outras esferas,
de outros límpidos abraços,
de outras castas primaveras.

Dessas tristezas que vagam
com volúpias tão sombrias
que as nossas almas alagam
de estranhas melancolias.

Dessas tristezas sem fundo,
sem origens prolongadas,
sem saudades deste mundo,
sem noites, sem alvoradas.

Que principiam no sonho
e acabam na Realidade,
através do mar tristonho
desta absurda Imensidade.

Certa tristeza indizível,
abstrata, como se fosse
a grande alma do Sensível
magoada, mística, doce.

Ah! tristeza imponderável,
abismo, mistério, aflito,
torturante, formidável...
ah! tristeza do Infinito!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

VENTOS
(Vivaldo Bernardes)

- ao amigo Xiko Mendes -

Vejo ventos varrendo vastidões,
violentando viandantes e viajores,
vazam vácuos, violentos vagalhões,
vergando varas, ventos vencedores.

Verdes vidas e vidas vãs, vazias,
Vitimadas, vencidas pelos ventos.
Vendavais virulentos e vadios
viram vidas vividas, vis, violentos.

Na voragem dos ventos vou vivendo,
vencendo verdadeiros vergalhões.
Até vejo que a vida vai valendo...

Vislumbrar os viveres bem vividos,
Visitar, conviver visitações,
é viver, e os ventos ver vencidos.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

PROCURA-SE UM AMOR
(Patrícia Ximenes)

Procura-se rápido
Um amor verdadeiro
Alegre e faceiro
Feito vaidade
E gosto de picolé!
Será que é fácil?
Difícil sei que é!
E o que fazer então?
Divulgar o tamanho
Do meu nobre coração
E nunca prometer
Nem jurar em vão
Muito amor e carinho
Se não existirem, não!
Procura-se um amor
Aquele simples mesmo
Que te olhe nos olhos
E deseje por inteiro
Te amar para sempre.
Procura-se um amor
O que te deixa livre
Para ser sempre você
E que te faça merecer
Todo amor que existe!
Procura-se um amor...
Ou quem sabe..
Doa-se amor!!
Hum...
Quando se doa
O amor não é à toa!
Faça alguém feliz
A felicidade é recíproca!!!

domingo, 8 de abril de 2012

A PÁSCOA
(Sidney Alves das Virgens)

Uma vida nova
Um tempo novo
É tempo de alegria
Venha alegrar-se conosco

As coisas velhas já se passaram
É tempo de renovo
Aleluia! Aleluia! Jesus ressuscitou
E Deus o exaltou com muito amor

Ele morreu para dar-nos a vida
Isso é motivo de louvor
Na cruz foi tudo consumado
Pelo seu amor

Vivamos o perdão independente da dor
Vamos cumprir os nossos deveres
Para agradar o nosso pai
Javé Deus

Pois a paz é fruto da justiça
Na cruz Jesus assim falou
Pai perdoa-os
Eles não sabem o que é amor

Uma vida nova
Um tempo novo
É tempo de alegria
Venha alegrar conosco.