sábado, 22 de abril de 2017

A POLÍTICA DOS PROBOS E A POLÍTICA DOS CANALHAS
(Joésio Menezes)

Eu maldigo a política,
Essa feita por canalhas
Que sujeitam o Brasil
Ao regime da bandalha,
Pois, como bem disse Rui,
A Política se exclui
Da cruel “politicalha”.

A Política se faz,
Ou deveria ser feita,
Por homens sérios, honestos,
De índole insuspeita.
Mas os que aí estão
No comando da nação
São bandidos à espreita,

À espera tão somente
Duma oportunidade
De roubarem nossos sonhos
E a nossa dignidade.
Eles são mais que bandidos:
São demônios protegidos
Pela vil “Imunidade”

Criada com o intuito
De blindar parlamentares
Que fazem politicalha
Em conluio com seus pares:
Eles roubam o erário
E nos fazem de otários
Nascidos em lupanares...

A Política é a arte
De governar o Estado
Com base em regras morais
Que nos façam respeitados;
E essa ardil politicalha
Defendida por canalhas
É antro aladroado;

É a desgraça do povo,
É um vício intratável,
Uma doença sem cura,
Um câncer incontrolável;
É artimanha do cão,
Artifício de ladrão,
É conduta abominável...

Essa arte de governar,
Citada por Rui Barbosa,
Transforma um território
Numa nação grandiosa,
Deixando a sua gente,
Lutadora e decente,
Do seu país orgulhosa.

Porém a “politicalha”,
Existente no Brasil,
Se contrapõe à Política
Como nunca já se viu:
Por aqui não se vê ética,
Mas desfaçatez emética
E mau-caratismos mil.

Nessa maldita “política”
Dos canalhas agourentos
Não nos restam esperanças
Nem se tem conhecimento
Acerca de melhorias
Que possam vir algum dia
Nos trazer algum alento,

Pois os tais politiqueiros
Que fazem politicalha
São a nódoa da Política
Que facilmente se espalha
Por esse Brasil afora
Cuja corrupção aflora
Naqueles que são canalhas.

Sim, Política é a arte
De gerir uma nação,
De governar um país
Em prol da população;
Já a podre politicalha
É o que mais emporcalha
A vida do cidadão.

Essa tal politicalha
Beneficia somente
Os políticos corruptos
Que enganam a sua gente
E os grandes empresários
Que, de olho no erário,
Se fazem de inocentes.

Por isso, aqui repito:
Eu maldigo a política,
Essa feita por canalhas
De índole paralítica
Que fazem do meu país
Uma nação infeliz
Pela falta de Política...

Ah, quem me dera um dia
Ser dono do meu Brasil!
Se isso acontecesse,
Eu não seria gentil;
Esses “cães” eu pegaria
E, sem dó, os mandaria
À puta que os pariu.
INCONFESSO DESEJO
(Carlos Drummond de Andrade)

Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo.

terça-feira, 21 de março de 2017



SILÊNCIO
(Andréa Joy)


Na divindade de teu ser
Fiz por merecer
O toque profundo do teu olhar

Tu me destes vão prazer
Me fizestes crer
Em tudo que há em mim
Em tudo que há em ti

Nos entregamos com tantas dúvidas
E na penumbra do quarto meia-luz
Em teu corpo percorri
Quase adormeci
Embalada por tua voz

Não sei o que há em mim
Mas a ti, eu guardo aqui...
Em silêncio eu te contemplo
Muitas vezes eu me rendo
Me entrego e me arrependo
Quando chega a tua partida
silenciosa e mansa
como tua presença em minha vida.

quarta-feira, 15 de março de 2017



RIMANDO CAFÉ COM FÉ
(Joésio Menezes)
 


O homem sem café tem pouca fé;
E se fé não tem, nunca diz amém,
Pois o homem sem café nada é,
E quando não se tem fé, nada tem.

Ter fé e não ter café, não dá pé;
Mas ter café sem fé, nada provém;
E nessa rima de fé com café,
Um pouco dos dois cairia bem...

Se mover montanhas a fé me faz,
Diga-me, então, do que serei capaz
Se antes um café me for servido!

Não sei!... Sei apenas que o café
Deve ser forte quanto minha fé
Pra qu’eu não me sinta um desvalido.

14/03/2017

segunda-feira, 6 de março de 2017

domingo, 26 de fevereiro de 2017

CARNAVAL
(Joésio Menezes)


Quatro dias de folia,
Quatro dias de euforia,
Quatro dias de enganação
Em que as fantasias
São somente alegorias
Mostrando ostentação.

Quatro dias de festa
Em que se manifesta
Uma alegria passageira...
Uma alegria de carnaval
Que tem o seu final
Na manhã de quarta-feira.

Quatro dias malogrados
Em que os “mascarados”
Que governam Brasil
Se utilizam da esperteza
Pra aumentar sua riqueza
E ter direito ao montepio.

E quando a festa acabar,
Somente contas a pagar
Terão os foliões
Que, durante os quatro dias,
Realizaram suas fantasias,
Mas se esqueceram dos ladrões.


sábado, 25 de fevereiro de 2017

DIAGNÓSTICO
(Geraldo Ramiere)
  
Meus dias são disléxicos;
Meus sonhos, paranóicos;
Minha alegria é depressiva;
Minha tristeza é TDAH.

Minha razão, esquizofrênica;
Minha paixão, compulsiva;
Meus lábios são obsessivos;
Meu prazer é além de bipolar.

Meus medos têm muitas fobias;
Minha esperança, ansiedades;
Mas meu maior transtorno
Ainda é insistir em amar.

Deite-se aqui, se você quiser
Saber também teu diagnóstico,
Basta escutar essas loucuras
Que eu tenho pra te contar.


sábado, 10 de setembro de 2016

POEMA DOS OLHOS DA AMADA
(Vinicius de Moraes)


Oh, minha amada
Que os olhos teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus

Oh, minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus

Oh, minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus

Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus




quinta-feira, 29 de maio de 2014

CARREGADO DE MIM ANDO NO MUNDO
(Gregório de Matos)

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco c'os demais, que só, sisudo.