terça-feira, 21 de março de 2017



SILÊNCIO
(Andréa Joy)


Na divindade de teu ser
Fiz por merecer
O toque profundo do teu olhar

Tu me destes vão prazer
Me fizestes crer
Em tudo que há em mim
Em tudo que há em ti

Nos entregamos com tantas dúvidas
E na penumbra do quarto meia-luz
Em teu corpo percorri
Quase adormeci
Embalada por tua voz

Não sei o que há em mim
Mas a ti, eu guardo aqui...
Em silêncio eu te contemplo
Muitas vezes eu me rendo
Me entrego e me arrependo
Quando chega a tua partida
silenciosa e mansa
como tua presença em minha vida.

quarta-feira, 15 de março de 2017



RIMANDO CAFÉ COM FÉ
(Joésio Menezes)
 


O homem sem café tem pouca fé;
E se fé não tem, nunca diz amém,
Pois o homem sem café nada é,
E quando não se tem fé, nada tem.

Ter fé e não ter café, não dá pé;
Mas ter café sem fé, nada provém;
E nessa rima de fé com café,
Um pouco dos dois cairia bem...

Se mover montanhas a fé me faz,
Diga-me, então, do que serei capaz
Se antes um café me for servido!

Não sei!... Sei apenas que o café
Deve ser forte quanto minha fé
Pra qu’eu não me sinta um desvalido.

14/03/2017

segunda-feira, 6 de março de 2017

domingo, 26 de fevereiro de 2017

CARNAVAL
(Joésio Menezes)


Quatro dias de folia,
Quatro dias de euforia,
Quatro dias de enganação
Em que as fantasias
São somente alegorias
Mostrando ostentação.

Quatro dias de festa
Em que se manifesta
Uma alegria passageira...
Uma alegria de carnaval
Que tem o seu final
Na manhã de quarta-feira.

Quatro dias malogrados
Em que os “mascarados”
Que governam Brasil
Se utilizam da esperteza
Pra aumentar sua riqueza
E ter direito ao montepio.

E quando a festa acabar,
Somente contas a pagar
Terão os foliões
Que, durante os quatro dias,
Realizaram suas fantasias,
Mas se esqueceram dos ladrões.


sábado, 25 de fevereiro de 2017

DIAGNÓSTICO
(Geraldo Ramiere)
  
Meus dias são disléxicos;
Meus sonhos, paranóicos;
Minha alegria é depressiva;
Minha tristeza é TDAH.

Minha razão, esquizofrênica;
Minha paixão, compulsiva;
Meus lábios são obsessivos;
Meu prazer é além de bipolar.

Meus medos têm muitas fobias;
Minha esperança, ansiedades;
Mas meu maior transtorno
Ainda é insistir em amar.

Deite-se aqui, se você quiser
Saber também teu diagnóstico,
Basta escutar essas loucuras
Que eu tenho pra te contar.


sábado, 10 de setembro de 2016

POEMA DOS OLHOS DA AMADA
(Vinicius de Moraes)


Oh, minha amada
Que os olhos teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus

Oh, minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus

Oh, minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus

Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus




quinta-feira, 29 de maio de 2014

CARREGADO DE MIM ANDO NO MUNDO
(Gregório de Matos)

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco c'os demais, que só, sisudo.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

A ÁRVORE DA SERRA
(Augusto dos Anjos)

— As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pos almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh'alma! ...

— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:
«Não mate a árvore, pai, para que eu viva!»
E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco

E nunca mais se levantou da terra!

terça-feira, 31 de dezembro de 2013


NA VIRADA DO ANO
(Joésio Menezes)

Mais um ano que se finda
E eu não cumpri, ainda,
As promessas do ano passado.
Mas nada que possa impedir
O Deus-Pai de ouvir
Meus pedidos renovados...

Aproxima-se um novo ano
E continuo fazendo planos,
Como fiz ano passado.
E tenho fé em Deus
Que alguns sonhos meus
Serão um dia realizados.

E mesmo qu’eu não peça nada,
No momento da virada
Deus estará ao meu lado
Para guiar-me pelos caminhos,
Ora de flores ora de espinhos,
Por Ele já traçados.


PARA O ANO NOVO, DESEJO QUE...
(Alvaro Socci)

"...se for pra fazer guerra, que seja de travesseiro;
Se for pra ter solidão, que seja no chuveiro;
Se for pra perder, que seja o medo;
Se for pra mentir, que seja a idade;
Se for pra matar, que seja a saudade.

Se for pra morrer, que seja de amor;
Se for pra tirar de alguém, que seja sua dor;
Se for pra ir embora, que seja a tristeza.

Se for pra chorar um dia, que seja de alegria;
Se for pra cair, que seja na folia;
Se for pra bater, que seja um bolo;
Se for pra roubar, que seja um bolo;
Se for pra matar, que seja de desejo."


sexta-feira, 11 de outubro de 2013



FOTOGRAFIAS
(Joésio Menezes)

À espera do meu olhar faminto
E cheio de desejos descarados,
Tuas fotos são como o labirinto
Que nos leva a caminhos complicados.

E tudo que nessa hora eu sinto,
Faz de mim um ser clique aqui desajuizado
Que age somente pelo instinto
Toda vez que se encontra excitado.

Sei que são apenas fotografias
Inertes nalgumas molduras frias,
Mas elas instigam minha libido.

São fotos simples, cujo conteúdo
Revela-me o teu pudor desnudo
E causa-me desejos atrevidos.