quarta-feira, 18 de abril de 2012

TRISTEZA DO INFINITO
(Cruz e Sousa)

Anda em mim, soturnamente,
uma tristeza ociosa,
sem objetivo, latente,
vaga, indecisa, medrosa.

Como ave torva e sem rumo,
ondula, vagueia, oscila
e sobe em nuvens de fumo
e na minh'alma se asila.

Uma tristeza que eu, mudo,
fico nela meditando
e meditando, por tudo
e em toda a parte sonhando.

Tristeza de não sei donde,
de não sei quando nem como...
flor mortal, que dentro esconde
sementes de um mago pomo.

Dessas tristezas incertas,
esparsas, indefinidas...
como almas vagas, desertas
no rumo eterno das vidas.

Tristeza sem causa forte,
diversa de outras tristezas,
nem da vida nem da morte
gerada nas correntezas...

Tristeza de outros espaços,
de outros céus, de outras esferas,
de outros límpidos abraços,
de outras castas primaveras.

Dessas tristezas que vagam
com volúpias tão sombrias
que as nossas almas alagam
de estranhas melancolias.

Dessas tristezas sem fundo,
sem origens prolongadas,
sem saudades deste mundo,
sem noites, sem alvoradas.

Que principiam no sonho
e acabam na Realidade,
através do mar tristonho
desta absurda Imensidade.

Certa tristeza indizível,
abstrata, como se fosse
a grande alma do Sensível
magoada, mística, doce.

Ah! tristeza imponderável,
abismo, mistério, aflito,
torturante, formidável...
ah! tristeza do Infinito!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

VENTOS
(Vivaldo Bernardes)

- ao amigo Xiko Mendes -

Vejo ventos varrendo vastidões,
violentando viandantes e viajores,
vazam vácuos, violentos vagalhões,
vergando varas, ventos vencedores.

Verdes vidas e vidas vãs, vazias,
Vitimadas, vencidas pelos ventos.
Vendavais virulentos e vadios
viram vidas vividas, vis, violentos.

Na voragem dos ventos vou vivendo,
vencendo verdadeiros vergalhões.
Até vejo que a vida vai valendo...

Vislumbrar os viveres bem vividos,
Visitar, conviver visitações,
é viver, e os ventos ver vencidos.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

PROCURA-SE UM AMOR
(Patrícia Ximenes)

Procura-se rápido
Um amor verdadeiro
Alegre e faceiro
Feito vaidade
E gosto de picolé!
Será que é fácil?
Difícil sei que é!
E o que fazer então?
Divulgar o tamanho
Do meu nobre coração
E nunca prometer
Nem jurar em vão
Muito amor e carinho
Se não existirem, não!
Procura-se um amor
Aquele simples mesmo
Que te olhe nos olhos
E deseje por inteiro
Te amar para sempre.
Procura-se um amor
O que te deixa livre
Para ser sempre você
E que te faça merecer
Todo amor que existe!
Procura-se um amor...
Ou quem sabe..
Doa-se amor!!
Hum...
Quando se doa
O amor não é à toa!
Faça alguém feliz
A felicidade é recíproca!!!

domingo, 8 de abril de 2012

A PÁSCOA
(Sidney Alves das Virgens)

Uma vida nova
Um tempo novo
É tempo de alegria
Venha alegrar-se conosco

As coisas velhas já se passaram
É tempo de renovo
Aleluia! Aleluia! Jesus ressuscitou
E Deus o exaltou com muito amor

Ele morreu para dar-nos a vida
Isso é motivo de louvor
Na cruz foi tudo consumado
Pelo seu amor

Vivamos o perdão independente da dor
Vamos cumprir os nossos deveres
Para agradar o nosso pai
Javé Deus

Pois a paz é fruto da justiça
Na cruz Jesus assim falou
Pai perdoa-os
Eles não sabem o que é amor

Uma vida nova
Um tempo novo
É tempo de alegria
Venha alegrar conosco.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O MAIOR DOADOR
(Francisco Durães)

O maior doador foi Jesus Cristo,
Que deu seu sangue à humanidade
Num exemplo de amor e caridade
Que neste mundo jamais foi visto.

Como cristão, nesta dádiva insisto,
Pensando naquele que em sua humildade,
Sem merecermos, cheios de maudade,
Por nós morreu na cruz, seja bendito!...

Com sua ação lavou nossos pecados,
Na nossa, damos aos necessitados
O que nos sobra em saúde, força e vigor.

Felizes aqueles que pela vida afora,
Abraçaram esta missão em santa hora,
Salvando irmãos, com as bênçãos do Senhor.

domingo, 1 de abril de 2012

NASCIDA EM 1º DE ABRIL
(Joésio Menezes)

- à Andréa do Carmo,
por ocasião do seu aniversário -

Hoje é primeiro de abril...
Dizem que é o dia da mentira,
Mas também é o dia em que surgira
Aquela para quem Deus sorriu

E disse: “te chamarás Andréa,
Deusa das flores e da poesia;
E na vida terás como companhia
Colibris, borboletas, azaléas...

Então, a partir desse dia
Serás responsável pela magia
Dos versos dos poetas encantados”.

E depois do que disse o Criador,
Os versos que exaltam o amor
Surgiram inda mais apaixonados.


Parabéns, Andréa!!!

sexta-feira, 30 de março de 2012

POEMINHA DE LOUVOR AO "STRIP-TEASE" SECULAR
(Millôr Fernandes)

Eu sou do tempo em que a mulher
Mostrar o tornozelo
Era um apelo!
Depois, já rapazinho,
vi as primeiras pernas
De mulher
Sem saia;
Mas foi na praia!

A moda avança
A saia sobe mais
Mostra os joelhos
Infernais!

As fazendas
Com os anos
Se fazem mais leves
E surgem figurinhas
Em roupas transparentes
Pelas ruas:
Quase nuas.
E a mania do esporte
Trouxe o short.
O short amigo
Que trouxe consigo
O maiô de duas peças.
E logo, de audácia em audácia,
A natureza ganhando terreno
Sugeriu o biquíni,
O maiô de pequeno ficando mais pequeno
Não se sabendo mais
Até onde um corpo branco
Pode ficar moreno.

Deus,
A graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!

sábado, 24 de março de 2012

CHICO ANYSIO
(Vilma Piva)

A Arte de Chico
É única em mil faces,
Eterna, sem igual.

Mestre do humor
Alegrou as nossas vidas,
Chico, o professor!

Ator, humano!
Personagens diferentes.
Chico, soberano!

quinta-feira, 22 de março de 2012

CACHOEIRA
(Luciana Dimarzio)

Tal como água
Fluo
Mato a sede
Apago o fogo
Inundo...

Mas também
Deságuo
Dissipo
Evaporo...

E broto novamente da terra.

Às vezes
Grande lagoa
Outras tantas
Pequeno ribeirão
Às vezes
Chuva fina
Outras tantas
Tempestade com travão

Mas nunca água represada.

E assim sigo escoando,
feito cachoeira,
contornando os obstáculos
rumo ao grande oceano...


Por ocasião do DIA MUNDIAL DA ÁGUA, celebrado em 22 de março.

terça-feira, 20 de março de 2012

COM LICENÇA POÉTICA
(Adélia Prado)

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

domingo, 18 de março de 2012

SONHO
(Bocage)

De suspirar em vão já fatigado,
Dando trégua a meus males eu dormia;
Eis que junto de mim sonhei que via
Da Morte o gesto lívido e mirrado:

Curva fouce no punho descarnado
Sustentava a cruel, e me dizia:
-Eu venho terminar tua agonia;
Morre, não penes mais, ó desgraçado!


Quis ferir-me, e de Amor foi atalhada,
Que armado de cruentos passadores
Aparece, e lhe diz com voz irada:

-Emprega noutro objecto teus rigores;
Que esta vida infeliz está guardada
Para vítima só de meus furores.

sexta-feira, 16 de março de 2012

SONETO PERPÉTUO
(Lourdes Neves Cúrcio)


Poetizar é dar mais cor e encanto à vida;
É externar os sentimentos mais velados;
Deixar o sonho em versos ser transformado
E a emoção em estrofes ser traduzida.

A arte de expressar o amor é do poeta
Que das mãos divinas recebeu o dom
Da inspiração de versejar em suave tom
Que toca a alma, reconforta e aquieta...


Seja o poeta aquele que irá transmitir
O que o âmago em silêncio está dizendo
E o coração está deveras a sentir.

E o ecoar dos versos vai ultrapassando
A tênue linha imaginária do horizonte
Para com o cosmos ir então se perpetuando..

terça-feira, 13 de março de 2012

AOS CORAÇÕES QUE SOFREM
(Olavo Bilac)

Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.

quinta-feira, 8 de março de 2012

HAJA O QUE HOUVER
(Joésio Menezes)

Haja o que houver,
A sábia mulher
Do salto jamais desce,
Pois sabe da importância
De se manter a elegância
Acima do estresse.

Ela sabe, também,
Que o salto a mantém
Inda mais imponente.
Mas se dele descer,
Ela não deixará de ser
Uma mulher inteligente

Cuja mente brilhante
Não para um instante
De a todos encantar...
Haja o que houver,
Dos fascínios da mulher
Não me canso de falar.


Às MULHERES, por ocasião do DIA INTERNACIONAL DA MULHER

terça-feira, 6 de março de 2012

NÃO SE MATE
(Carlos Drummond de Andrade)

Carlos, sossegue!...
O amor é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh!.. não se mate!
Reserve-se todo
para as bodas que ninguém
sabe quando virão,
se é que virão!...
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, pra quê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.